RECADO DA ROTINA
Ela acorda e olha ao redor. Despertador, televisão e uma pilha de livros ao lado da cama compõem o cenário. Conta até dez para ver se é verdade toda aquela merda. Suspira e tenta fechar os olhos novamente. Não consegue. Chora baixinho. Lembra do amor que tem e também de todos os outros que gostaria de ter tido. O pensamento pára em um alguém que teve apenas duas vezes. Chora um pouco mais alto. Pensa novamente nas promessas que escutou naquelas duas vezes. Chora um choro seco. Não tem mais lágrimas para aquela dor que a acompanha há mais de dois anos. Pega o celular que está ao lado da cama e não encontra nenhuma mensagem a não ser a do banco informando seu saldo negativo. Despertador de novo. É hora de tentar mexer ao menos as pernas para outra posição mais perto do chão. Cobre a cabeça com o edredom e tenta não pensar em nada. Descobre isso ser o mais difícil e pensa que nunca pode não pensar em nada. Vira-se e cai da cama. Mais um tombo entre tantos outros que anda se acostumando tomar.
Olha para aquela cena e dá uma risadinha cínica...
Depois do ensaio de não querer viver sai pela porta morrendo por dentro. Faz tudo no automático. Abre a porta do carro e sente o cheiro da cadela que não é mais sua. Liga o som e não se emociona com a música. Parece que ela está adormecida no meio da vida. Atende ao telefone depois do meio dia com a mesma voz que atenderia ás seis e quarenta e cinco da manhã. No começo da tarde manda alguém se fuder para lembrar que ainda consegue gritar. Marca um encontro para o fim do dia e vai sem nenhuma expectativa. Trepa um sexo morno até o começo da madrugada. Erra o nome ao se despedir. Resolve ir para casa. Liga o som e sente cada toque da melodia. Pega o telefone e escreve uma mensagem de texto completamente sem sentido. Lembra da comunidade do Orkut que diz “adoro receber mensagens de madrugada". Troca meia dúzia de recados com alguém. Dá risada sozinha. Encontra aquele bombom no carro e devora em segundos. Abre a porta de casa. Entra no seu quarto. Deita na cama e agradece a um Deus qualquer por cada segundo. Agora já está no seu mundo. Folheia Schopenhauer. Mais um torpedo que chega e ela morre de rir. Joga Schopenhauer longe. Agarra Clarice Lispector. Encanta-se com a possibilidade do amor. Dorme. Sonha.
Ela acorda e olha ao redor. Chora baixinho. Chora um pouco mais alto. Chora um choro seco.Olha para aquela cena e dá uma risadinha cínica...
Olha para aquela cena e dá uma risadinha cínica...
Depois do ensaio de não querer viver sai pela porta morrendo por dentro. Faz tudo no automático. Abre a porta do carro e sente o cheiro da cadela que não é mais sua. Liga o som e não se emociona com a música. Parece que ela está adormecida no meio da vida. Atende ao telefone depois do meio dia com a mesma voz que atenderia ás seis e quarenta e cinco da manhã. No começo da tarde manda alguém se fuder para lembrar que ainda consegue gritar. Marca um encontro para o fim do dia e vai sem nenhuma expectativa. Trepa um sexo morno até o começo da madrugada. Erra o nome ao se despedir. Resolve ir para casa. Liga o som e sente cada toque da melodia. Pega o telefone e escreve uma mensagem de texto completamente sem sentido. Lembra da comunidade do Orkut que diz “adoro receber mensagens de madrugada". Troca meia dúzia de recados com alguém. Dá risada sozinha. Encontra aquele bombom no carro e devora em segundos. Abre a porta de casa. Entra no seu quarto. Deita na cama e agradece a um Deus qualquer por cada segundo. Agora já está no seu mundo. Folheia Schopenhauer. Mais um torpedo que chega e ela morre de rir. Joga Schopenhauer longe. Agarra Clarice Lispector. Encanta-se com a possibilidade do amor. Dorme. Sonha.
Ela acorda e olha ao redor. Chora baixinho. Chora um pouco mais alto. Chora um choro seco.Olha para aquela cena e dá uma risadinha cínica...

5 Comments:
oooba, tô sendo a primeira a postar!
Puxa adorei esse texto - esse negócio de engatar a primeira e ir no automático, mas sempre sabendo q as preocupações e tristezas ficam te cutucando o tempo todo, sem deixar esquecer...
Love u
Que alegria ver esse texto! Finalmente o Papai Noel saiu dos seus pensamentos!
Gostei muito bonitona, pra variar um pouco...
Beijo grande!
praticamente minha descrição. amei seu texto como sempre. você pode ser minha escritora preferida ?
beijo. beijo. beijo.
será que há algo de você no seu texto, talvez. será que há muito do seu texto em você, possivelmente. O que importa ? Tudo que escreve tem essência e isso sim importa. Muito bom mesmo.
Adorei. Frases curtas e expressivas.
Lembrei de outra comunidade no orkut: "celular na mão de bêbado é arma". Ahhh, são tantas histórias que é difícil escolher só uma pra contar.
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