Sunday, September 06, 2009

Volver

É preciso voltar. Olhar para as coisas que gostamos e ver que ir para longe é uma fuga ainda mais dolorida. É preciso voltar. Parar de tropeçar nos mesmos buracos das mesmas planícies. É preciso voltar. Andar para uma direção menos míope e mais suave. É preciso voltar. Carregar duas ou três coisas que valeram a pena, até hoje. É preciso voltar. Trocar a ansiedade pela paciência e saber que esforçar-se para parar é tão inútil quanto segurar as ondas do mar. É preciso voltar. Uma. Cinco. Setenta vezes. Se ainda houver aquela voz que diz: Vai! É preciso voltar. É preciso voltar.

Monday, July 21, 2008

NO HAY BANDA

Todas as letras melancólicas fizeram sentido para a menina do tênis dourado e da flor na cabeça. Logo ela que planejou uma vida baseada na poesia das literaturas e na suavidade das canções francesas, talvez no meio do caminho ela tenha se perdido por ruas que nunca sonhou conhecer e por paisagens que fingiu admirar, mas o fato da perda é singular. Ela me contou que não sabe exatamente se tem volta ou se ao menos lembra das coordenadas, mas a essência ainda pulsa aos pouquinhos dentro de si. Cada passo a mais é menos. Cada palavra é silêncio. Cada sorriso é dor. E ela dança uma música ensaiada para uma platéia sem humor e sem glamour. Gente esquisita sem a festa ser estranha. Não há festa. Não há nada. Em cada segundo de ritmo existe um compasso estranho, onde algumas pessoas fingem acreditar que é apenas questão de ajuste. Ajuste ? Muitos risos. Nenhuma palma. E talvez um bis. Oh, não!

Sunday, May 11, 2008

COISA DO WOODY

"A vida é apenas totalmente irônica" e com essa frase estava oficialmente declarado até pelo Woody Alen.

Apenas para recordar :
Ironia = figura de retórica que exprime o contrário do que as palavras significam e que serve para depreciar ou engrandecer.

Saturday, April 19, 2008

o CAIO, o CAETANO e o CHICO

A gente foge. Chora. Vai embora sem saber para onde foi. E esquece que tudo que está aqui dentro vai junto. É uma sombra que está sempreali pronta para soltar uma piadinha sarcástica. É o espelho da verdade. São lembranças, desejos, esperança, saudade... Quase sempre umasaudade viva num passado nem tão distante para esquecer e nem tão próximo para sentir. Vontade de comprar um cartão-postal e escrevercom perfume, com lágrimas. Me sinto ridícula. Devo ser mesmo. Será que quando pensamos com força em alguém de alguma forma isso chega até a pessoa ? Minha avó dizia que sim e dela nunca vou duvidar. E é por essas e por outras coisas que guardei da vovó que não aprendi a perder. Não sei lidar com a perda. Perco e me culpo. Me acham desprendida. Tolos. Sou tão agarrada as minhas coisas que nem as memórias sei repartir, sei deixar ir...

A beleza nostálgica do adeus não dado me parece mais atraente. Não gosto das coisas bem resolvidas, harmônicas e decididas. A palavra talvez é uma constante armadilha que deixei morar aqui. E como não sei abrir mão ela vai ficar. Quero viajar para bem longe só para escrever a você e dizer coisas do tipo : "Estou pensando em você." "Ouvi a nossa música." "Vi um cachorro igual ao seu." Os anos passam e o ritmo da canção não muda. Me interesso em decifrar cada frase que você falou no último encontro. Talvez você soubesse que seria o último e eu achando que era apenas o começo. As coisas estão sempre começando na minha vida, simplesmente porque preciso criar história. Aqui no meu caderninho tudo tem que ter começo, meio e fim e não me pergunte se tem que ser nessa ordem. A resposta seria não sou flexível e aí você pode concluir.

Sou metódica, alucinada e pouco leve. Tenho que enxergar sentidos literais. Escrevo de forma subjetiva para tentar esconder a precisão dos detalhes e da ordem. Mas me engano porque não engano você. E eu tenho que ser especial. Tenho que deixar marca, rastro, sabores ou quiça dissabores, mas tenho que deixar. E hoje é isso que pergunto : O que deixei com você ? O que você deixou ficar de mim ?

Deitei na cama, fechei os olhos e parei de sonhar. No fundo eu e você sabemos que não deixamos nada até porque nada de nós foi compartilhado. Tudo é ficção. Texto barato de escritor novato. Barulho do teclado de um notebook qualquer. Um ruído incômodo de gelo no copo de whisky que chega ao fim. É tanto som aqui dentro que esqueço de esquecer que esquecemos daquilo que foi esquecido.

Apaga a luz. Eu vou pra Nepal. Vou me inscrever naquele curso sobre nada do Seinfeld. Em NY ? Mas a passagem era para o Suriname e aquele nosso amor era nítido que não chegava nem ao Carnaval. Você me deixou em um feriado e deveria existir um tratado de paz onde não fosse cordial abandonar as pessoas nos feriados. Eu ainda penso em mandar o cartão-postal a você mas hoje todo mundo deixa apenas um scrap no orkut. Pobre comunicação virtual.
O Caetano me incomodou hoje gritando no ipod que "de perto fomos quase nada". Bela definição. A gente aqui achando que compartilhou tanto. Eu tenho a mesma mania ainda de ouvir Caetano e Chico freneticamente. Mas eu tenho fugido e chorado. "Penso, com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi um tanto unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada - apenas me ferem muito esses teus silêncios." É eu também continuo lendo e tentando sentir a dor do Caio Fernando. Ah sei lá eu continuo por aí, né... E você onde será que está agora ? Era só isso que eu queria saber. Pra assim justificar meu choro, minha fuga e até mesmo... O PORQUÊ.

Monday, January 14, 2008

O GATO DA ALICE

Assisti novamente aquele filme, ou melhor aquela animação, desenho ou qualquer outra nomenclatura de formato criada pelo mundinho. Aperto o botão do controle remoto para correr com o tempo e em segundos retrocedo. Tenho que encontrar o gato. O gato da Alice. Da Alice no País das Maravilhas. Ele é o único que sabe sobre angústia. Sabe das minhas emoções, do meu impasse e até da minha dor. Aquela frase dele "Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve" é meu dilema, minha interrogação. O que é saber para onde ir ? É sair de casa e saber que na próxima esquina existe uma farmácia e você precisa comprar analgésico ? Ah se for assim, sim. Mas do jeito que a vida anda é melhor comprar Prozac para ver se anima ou melhor se desanima. Ficar feliz não tem adiantado nada relembro na manhã de sol e procuro meus óculos escuros. Protego a pupila e me exponho para o universo sem alma porém sem dor, mas no fundo sem graça também. Entrar no táxi é a maior armadilha que a semana reservou. Moça para onde vai ? - perguntou o bigodudo de olhos vermelhos - Ah sei lá... dirige aí. "Qualquer caminho serve..."

Friday, January 11, 2008

"BEM VINDO" SÓ SE TIVER UM "OBRIGADA"

Então é isso mesmo e não tem mais nada a ser dito. É a voz da Vanessa da Mata "Acabou. Boa sorte". E agora ele não é mais esperança é realidade. Todas as promessas ficam soltas na linha do tempo que insistiu em caminhar para fora do nosso controle. Os fogos de artífício, que anunciam sua chegada e que esse ano não assisti, trouxeram um brilho que é exatamente o que sonhamos como tom dos nossos dias. Sinceramente não sabemos o ritmo que ele vai escolher para passar na avenida do calendário e tão pouco podemos imaginar se o enredo vai agradar o povo da Grécia ou o povo de Tróia, mas acreditamos nele. Uma crença quase de fé, uma fé baiana. Jogo assim meus desejos femininos e como todos sabem mulher nunca quer pouco. Brinco com as pétalas de alegria, saúde, sucesso e com o sopro dessas expectativas inseridas no anúncio da sua chegada.

Dessa vez ao invés de dar boas vindas vou esperar nos conhecermos melhor.
Você me conhece e eu conheço você. Sem pretensões, ok ?
Por enquanto só tenho duas coisas a falar : você é par e você é regido por Ogum.

Prazer, 2008.
Espero que possamos nos dar bem.
Fica a vontade. Depois conversamos.

Monday, December 03, 2007

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Ele pode entender dos mundos complexos, dos cavalos de batalha e dos amores medievais. Abre a cortina de veludo da sala que não bate sol e encontra o cheiro entorpecente do passado não muito distante. Na cabeça dele tudo isso se funde e o questionamento começa ir além do sushi de ontem a noite. O cara só queria encontrar o rumo das rosas, aquele caminho perfumado e colorido dos filmes da sessão da tarde. Ele procura, procura e só encontra mais procura. Não consigo ajudá-lo a compreender porque não entendi a busca. E por essa e por muitas outras tenho chorado. Hoje choro com motivo, tendo dor...lá na alma. Ele e eu temos a cólica da saudade, a ânsia do desconforto, o vazio do apego e mesmo assim conseguimos olhar e deixar as coisas irem, como se em algum segundo entendessemos o ciclo. Dói.

A menina dos olhos castanhos, sim castanhos porque aqui os personagens são comuns, falou sobre um caminho. Lembro ainda dela ter dito sobre uma estrada onde se tem muitos atalhos e depende da nossa disposição para o desafio, seguir. Ele não sabe se quer. Eu penso em seguir única e exclusivamente por falta de plano B. Então ele, ela e eu, de uma forma diferente faremos a trajetória igual. Isso me conforta por segundos, milésimos de segundos, não mais que isso. As lágrimas rolam por falta de conseguir abrir o sorriso e mais um dia se passa. Ele queria ter mais fé. Eu queria ter mais força. Ele e eu queríamos ser mais livres. Ela é verdadeiramente livre mesmo sem força e sem fé, como nós. Sendo assim não só o caminho é igual, as pessoas no fundo também são bem parecidinhas, mas acordam em closets diferentes, por isso apresentam-se em outras fantasias. Assim podem fazer um grande Carnaval, mas sabe-se que a quarta-feira de cinzas é inevitável.

Ele toma sorvete e ela tem dor de garganta. Eu tenho dor de garganta e tomo sorvete mesmo assim, pois como ele sempre diz não sei me cuidar. Não é bem assim, apenas não quero me proteger do que quero sentir e isso acaba valendo para o picolé ou para os amores. Ok, também não me poupo das dores. Mas hoje a dor é diferente e essa sei que passa para dar lugar a uma saudade mais que sufocante, essa sem fim. Ele deixou o casaco cinza do medo lá na esquina e desde desse dia só se esconde das pessoas, das suas palavras vazias e dos seus sentimentos ocultos. Ele não me ajuda porque disse que tenho que saber elaborar. Ela elaborou um plano mas como o caminho é igual não quer dividir com a gente hoje, pois soprou que lá na frente vamos nos esbarrar. Ela quebrou todas as regras. Ele seguiu todas. Agora eu... Sigo sem entender, embora com mais fé, menos força e sabe-se lá, livre.