Monday, July 21, 2008

NO HAY BANDA

Todas as letras melancólicas fizeram sentido para a menina do tênis dourado e da flor na cabeça. Logo ela que planejou uma vida baseada na poesia das literaturas e na suavidade das canções francesas, talvez no meio do caminho ela tenha se perdido por ruas que nunca sonhou conhecer e por paisagens que fingiu admirar, mas o fato da perda é singular. Ela me contou que não sabe exatamente se tem volta ou se ao menos lembra das coordenadas, mas a essência ainda pulsa aos pouquinhos dentro de si. Cada passo a mais é menos. Cada palavra é silêncio. Cada sorriso é dor. E ela dança uma música ensaiada para uma platéia sem humor e sem glamour. Gente esquisita sem a festa ser estranha. Não há festa. Não há nada. Em cada segundo de ritmo existe um compasso estranho, onde algumas pessoas fingem acreditar que é apenas questão de ajuste. Ajuste ? Muitos risos. Nenhuma palma. E talvez um bis. Oh, não!

Sunday, May 11, 2008

COISA DO WOODY

"A vida é apenas totalmente irônica" e com essa frase estava oficialmente declarado até pelo Woody Alen.

Apenas para recordar :
Ironia = figura de retórica que exprime o contrário do que as palavras significam e que serve para depreciar ou engrandecer.

Saturday, April 19, 2008

o CAIO, o CAETANO e o CHICO

A gente foge. Chora. Vai embora sem saber para onde foi. E esquece que tudo que está aqui dentro vai junto. É uma sombra que está sempreali pronta para soltar uma piadinha sarcástica. É o espelho da verdade. São lembranças, desejos, esperança, saudade... Quase sempre umasaudade viva num passado nem tão distante para esquecer e nem tão próximo para sentir. Vontade de comprar um cartão-postal e escrevercom perfume, com lágrimas. Me sinto ridícula. Devo ser mesmo. Será que quando pensamos com força em alguém de alguma forma isso chega até a pessoa ? Minha avó dizia que sim e dela nunca vou duvidar. E é por essas e por outras coisas que guardei da vovó que não aprendi a perder. Não sei lidar com a perda. Perco e me culpo. Me acham desprendida. Tolos. Sou tão agarrada as minhas coisas que nem as memórias sei repartir, sei deixar ir...

A beleza nostálgica do adeus não dado me parece mais atraente. Não gosto das coisas bem resolvidas, harmônicas e decididas. A palavra talvez é uma constante armadilha que deixei morar aqui. E como não sei abrir mão ela vai ficar. Quero viajar para bem longe só para escrever a você e dizer coisas do tipo : "Estou pensando em você." "Ouvi a nossa música." "Vi um cachorro igual ao seu." Os anos passam e o ritmo da canção não muda. Me interesso em decifrar cada frase que você falou no último encontro. Talvez você soubesse que seria o último e eu achando que era apenas o começo. As coisas estão sempre começando na minha vida, simplesmente porque preciso criar história. Aqui no meu caderninho tudo tem que ter começo, meio e fim e não me pergunte se tem que ser nessa ordem. A resposta seria não sou flexível e aí você pode concluir.

Sou metódica, alucinada e pouco leve. Tenho que enxergar sentidos literais. Escrevo de forma subjetiva para tentar esconder a precisão dos detalhes e da ordem. Mas me engano porque não engano você. E eu tenho que ser especial. Tenho que deixar marca, rastro, sabores ou quiça dissabores, mas tenho que deixar. E hoje é isso que pergunto : O que deixei com você ? O que você deixou ficar de mim ?

Deitei na cama, fechei os olhos e parei de sonhar. No fundo eu e você sabemos que não deixamos nada até porque nada de nós foi compartilhado. Tudo é ficção. Texto barato de escritor novato. Barulho do teclado de um notebook qualquer. Um ruído incômodo de gelo no copo de whisky que chega ao fim. É tanto som aqui dentro que esqueço de esquecer que esquecemos daquilo que foi esquecido.

Apaga a luz. Eu vou pra Nepal. Vou me inscrever naquele curso sobre nada do Seinfeld. Em NY ? Mas a passagem era para o Suriname e aquele nosso amor era nítido que não chegava nem ao Carnaval. Você me deixou em um feriado e deveria existir um tratado de paz onde não fosse cordial abandonar as pessoas nos feriados. Eu ainda penso em mandar o cartão-postal a você mas hoje todo mundo deixa apenas um scrap no orkut. Pobre comunicação virtual.
O Caetano me incomodou hoje gritando no ipod que "de perto fomos quase nada". Bela definição. A gente aqui achando que compartilhou tanto. Eu tenho a mesma mania ainda de ouvir Caetano e Chico freneticamente. Mas eu tenho fugido e chorado. "Penso, com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi um tanto unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada - apenas me ferem muito esses teus silêncios." É eu também continuo lendo e tentando sentir a dor do Caio Fernando. Ah sei lá eu continuo por aí, né... E você onde será que está agora ? Era só isso que eu queria saber. Pra assim justificar meu choro, minha fuga e até mesmo... O PORQUÊ.

Monday, January 14, 2008

O GATO DA ALICE

Assisti novamente aquele filme, ou melhor aquela animação, desenho ou qualquer outra nomenclatura de formato criada pelo mundinho. Aperto o botão do controle remoto para correr com o tempo e em segundos retrocedo. Tenho que encontrar o gato. O gato da Alice. Da Alice no País das Maravilhas. Ele é o único que sabe sobre angústia. Sabe das minhas emoções, do meu impasse e até da minha dor. Aquela frase dele "Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve" é meu dilema, minha interrogação. O que é saber para onde ir ? É sair de casa e saber que na próxima esquina existe uma farmácia e você precisa comprar analgésico ? Ah se for assim, sim. Mas do jeito que a vida anda é melhor comprar Prozac para ver se anima ou melhor se desanima. Ficar feliz não tem adiantado nada relembro na manhã de sol e procuro meus óculos escuros. Protego a pupila e me exponho para o universo sem alma porém sem dor, mas no fundo sem graça também. Entrar no táxi é a maior armadilha que a semana reservou. Moça para onde vai ? - perguntou o bigodudo de olhos vermelhos - Ah sei lá... dirige aí. "Qualquer caminho serve..."

Friday, January 11, 2008

"BEM VINDO" SÓ SE TIVER UM "OBRIGADA"

Então é isso mesmo e não tem mais nada a ser dito. É a voz da Vanessa da Mata "Acabou. Boa sorte". E agora ele não é mais esperança é realidade. Todas as promessas ficam soltas na linha do tempo que insistiu em caminhar para fora do nosso controle. Os fogos de artífício, que anunciam sua chegada e que esse ano não assisti, trouxeram um brilho que é exatamente o que sonhamos como tom dos nossos dias. Sinceramente não sabemos o ritmo que ele vai escolher para passar na avenida do calendário e tão pouco podemos imaginar se o enredo vai agradar o povo da Grécia ou o povo de Tróia, mas acreditamos nele. Uma crença quase de fé, uma fé baiana. Jogo assim meus desejos femininos e como todos sabem mulher nunca quer pouco. Brinco com as pétalas de alegria, saúde, sucesso e com o sopro dessas expectativas inseridas no anúncio da sua chegada.

Dessa vez ao invés de dar boas vindas vou esperar nos conhecermos melhor.
Você me conhece e eu conheço você. Sem pretensões, ok ?
Por enquanto só tenho duas coisas a falar : você é par e você é regido por Ogum.

Prazer, 2008.
Espero que possamos nos dar bem.
Fica a vontade. Depois conversamos.

Monday, December 03, 2007

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Ele pode entender dos mundos complexos, dos cavalos de batalha e dos amores medievais. Abre a cortina de veludo da sala que não bate sol e encontra o cheiro entorpecente do passado não muito distante. Na cabeça dele tudo isso se funde e o questionamento começa ir além do sushi de ontem a noite. O cara só queria encontrar o rumo das rosas, aquele caminho perfumado e colorido dos filmes da sessão da tarde. Ele procura, procura e só encontra mais procura. Não consigo ajudá-lo a compreender porque não entendi a busca. E por essa e por muitas outras tenho chorado. Hoje choro com motivo, tendo dor...lá na alma. Ele e eu temos a cólica da saudade, a ânsia do desconforto, o vazio do apego e mesmo assim conseguimos olhar e deixar as coisas irem, como se em algum segundo entendessemos o ciclo. Dói.

A menina dos olhos castanhos, sim castanhos porque aqui os personagens são comuns, falou sobre um caminho. Lembro ainda dela ter dito sobre uma estrada onde se tem muitos atalhos e depende da nossa disposição para o desafio, seguir. Ele não sabe se quer. Eu penso em seguir única e exclusivamente por falta de plano B. Então ele, ela e eu, de uma forma diferente faremos a trajetória igual. Isso me conforta por segundos, milésimos de segundos, não mais que isso. As lágrimas rolam por falta de conseguir abrir o sorriso e mais um dia se passa. Ele queria ter mais fé. Eu queria ter mais força. Ele e eu queríamos ser mais livres. Ela é verdadeiramente livre mesmo sem força e sem fé, como nós. Sendo assim não só o caminho é igual, as pessoas no fundo também são bem parecidinhas, mas acordam em closets diferentes, por isso apresentam-se em outras fantasias. Assim podem fazer um grande Carnaval, mas sabe-se que a quarta-feira de cinzas é inevitável.

Ele toma sorvete e ela tem dor de garganta. Eu tenho dor de garganta e tomo sorvete mesmo assim, pois como ele sempre diz não sei me cuidar. Não é bem assim, apenas não quero me proteger do que quero sentir e isso acaba valendo para o picolé ou para os amores. Ok, também não me poupo das dores. Mas hoje a dor é diferente e essa sei que passa para dar lugar a uma saudade mais que sufocante, essa sem fim. Ele deixou o casaco cinza do medo lá na esquina e desde desse dia só se esconde das pessoas, das suas palavras vazias e dos seus sentimentos ocultos. Ele não me ajuda porque disse que tenho que saber elaborar. Ela elaborou um plano mas como o caminho é igual não quer dividir com a gente hoje, pois soprou que lá na frente vamos nos esbarrar. Ela quebrou todas as regras. Ele seguiu todas. Agora eu... Sigo sem entender, embora com mais fé, menos força e sabe-se lá, livre.

Monday, November 05, 2007

RITMO

"Não sei mas sinto que é como sonhar
Que o esforço pra lembrar
É vontade de esquecer
E isso por que? "

As palavras trocadas se intercalaram com os telefonemas não retornados. As músicas que um dia foram trilha sonora se misturaram com as canções que tocaram na hora errada. Não pedi para acontecer mas não evitei o acontecido e mesmo assim acho que ainda tenho oportunidade para sofrer. Você não acha ? Tudo pode não passar de uma onda absurda em praias de águas calmas, mas isso não impede de fazer o surfista pensar em arriscar uns tombos. Há quem viva para apostar, há quem aposte apenas em sonhar. Não escolho meu destino em definitivo prefiro somar escolhas diárias e talvez um dia chamá-las de minha vida, mas por enquanto o seu lugar tá determinado lá naquele canto de algum lugar. Não tem espaço para ultrapassar nenhuma barreira mesmo que essa barreira nem exista. Existe ainda uma chance para todas aquelas pessoas que em algum momento se permitem apenas sentir e é por isso que sinto, contemplo e acredito... Acredito no inacreditável do supermercado de idéias abstratas. Se você correr eu ando e se você gritar eu calo. Não existe sintonia fora de nós mesmos e talvez isso responda ao ritmo.