TERAPIA PRA QUEM ?
Era mais uma tarde de um feriado qualquer e o programa não poderia ser diferente, então. Aquele cineminha com um grupo de amigas e óbvio que um título de comédia romântica holywoodiana seria a pedida perfeita e mais previsível possível. Na fila inclusive comentávamos que o fim seria como todos os fins de filmes do gênero e o casal que passa o enredo inteiro em mil desencontros finalmente se encontra com aquela mensagem : e foram felizes para sempre. THE END. Então. Não foi assim.
Dessa vez o mocinho e a mocinha tiveram um fim bem mais próximo de todos os fins que já conheci. E eu fiquei muito triste, de verdade. Não estou acostumada com isso nos filmes mas já me acostumei com isso na vida real. Peraí se até na idealização é assim em que se agarrar para ter esperança de que pode ser diferente, de que pode ser uma linda história. Sendo assim, naquela suposta comédia romântica estava escondido um tapa na cara que não era o dia certo para levar, sabe ? Talvez saiba.
Ultimamente não entendo a dinâmica da sociedade. Não entendo ainda mais porque sofrer pela mesma coisa, querendo a mesma coisa. Será que é um estigma de antepassados ? Conversava dia desses com um conhecido que parecia muito abalado com o fim do casamento e durante nossa conversa ele disse que a mulher também estava sofrendo muito com o rompimento. Minha primeira reação foi perguntar : Mas então porque não conversam e se entendem de uma vez ? Por que romper assim ? O piloto automático dele estava ligado e a resposta veio : É melhor assim para nós dois. Precisamos amadurecer.
Nossa então é assim que funcionam as coisas agora. Tudo que você precisa buscar tem que ser longe de outra pessoa, sofrendo e fazendo sofrer. No tal filme ouvi uma sequência de três palavrinhas : LOVE, LEARN e LEAVE, essa seria como uma receita para amadurecimento emocional. Traduzindo : escolha alguém para passar um tempo com você, faça juras de amor, finja estar se entregando, tire tudo que puder dessa pessoa e quando se sentir preparado vá embora começar um novo ciclo. Vá usando e sendo usado.
Essa foi a mensagem que ficou e pra falar a verdade é a mensagem que vejo implícita na forma como todo mundo está encarando os relacionamentos. Não estou exagerando é exatamente isso que enxergo no dia-a-dia. Tiro para todos os lados doa a quem doer. A pessoa é aparentemente feliz, divide a vida com alguém mas está sempre "pescando", checando uma oportunidade melhor, como se fosse mesa de operação da Bovespa. Outro dia uma amiga estava excitadíssima como a possibilidade de trair o namorado e depois de alguns conselhos do tipo cuidado, você pode se arrepender, ela soltou uma sonora gargalhada e disse : Tá Sam, prometo checar os prós e os contras. Na hora eu ri junto, mas depois fiquei pensando que a gente se acostumou mesmo com isso. E poderia ser tudo lindo e colorido mas nóa só nos acostumamos a agir dessa forma e não a sentir assim e aí o resultado não poderia ser outro que não mágoas e infelicidade.
Uma cena para resumir a situação: a mocinha jantando com amigos com um olhar infinitamente triste e o mocinho observando ela pela janela com os olhos cheio de lágrimas. Ambos tristes. Dois na contramão.
Por favor, não escute uma canção quem nunca se sentiu assim.
Dessa vez o mocinho e a mocinha tiveram um fim bem mais próximo de todos os fins que já conheci. E eu fiquei muito triste, de verdade. Não estou acostumada com isso nos filmes mas já me acostumei com isso na vida real. Peraí se até na idealização é assim em que se agarrar para ter esperança de que pode ser diferente, de que pode ser uma linda história. Sendo assim, naquela suposta comédia romântica estava escondido um tapa na cara que não era o dia certo para levar, sabe ? Talvez saiba.
Ultimamente não entendo a dinâmica da sociedade. Não entendo ainda mais porque sofrer pela mesma coisa, querendo a mesma coisa. Será que é um estigma de antepassados ? Conversava dia desses com um conhecido que parecia muito abalado com o fim do casamento e durante nossa conversa ele disse que a mulher também estava sofrendo muito com o rompimento. Minha primeira reação foi perguntar : Mas então porque não conversam e se entendem de uma vez ? Por que romper assim ? O piloto automático dele estava ligado e a resposta veio : É melhor assim para nós dois. Precisamos amadurecer.
Nossa então é assim que funcionam as coisas agora. Tudo que você precisa buscar tem que ser longe de outra pessoa, sofrendo e fazendo sofrer. No tal filme ouvi uma sequência de três palavrinhas : LOVE, LEARN e LEAVE, essa seria como uma receita para amadurecimento emocional. Traduzindo : escolha alguém para passar um tempo com você, faça juras de amor, finja estar se entregando, tire tudo que puder dessa pessoa e quando se sentir preparado vá embora começar um novo ciclo. Vá usando e sendo usado.
Essa foi a mensagem que ficou e pra falar a verdade é a mensagem que vejo implícita na forma como todo mundo está encarando os relacionamentos. Não estou exagerando é exatamente isso que enxergo no dia-a-dia. Tiro para todos os lados doa a quem doer. A pessoa é aparentemente feliz, divide a vida com alguém mas está sempre "pescando", checando uma oportunidade melhor, como se fosse mesa de operação da Bovespa. Outro dia uma amiga estava excitadíssima como a possibilidade de trair o namorado e depois de alguns conselhos do tipo cuidado, você pode se arrepender, ela soltou uma sonora gargalhada e disse : Tá Sam, prometo checar os prós e os contras. Na hora eu ri junto, mas depois fiquei pensando que a gente se acostumou mesmo com isso. E poderia ser tudo lindo e colorido mas nóa só nos acostumamos a agir dessa forma e não a sentir assim e aí o resultado não poderia ser outro que não mágoas e infelicidade.
Uma cena para resumir a situação: a mocinha jantando com amigos com um olhar infinitamente triste e o mocinho observando ela pela janela com os olhos cheio de lágrimas. Ambos tristes. Dois na contramão.
Por favor, não escute uma canção quem nunca se sentiu assim.
