o CAIO, o CAETANO e o CHICO
A gente foge. Chora. Vai embora sem saber para onde foi. E esquece que tudo que está aqui dentro vai junto. É uma sombra que está sempreali pronta para soltar uma piadinha sarcástica. É o espelho da verdade. São lembranças, desejos, esperança, saudade... Quase sempre umasaudade viva num passado nem tão distante para esquecer e nem tão próximo para sentir. Vontade de comprar um cartão-postal e escrevercom perfume, com lágrimas. Me sinto ridícula. Devo ser mesmo. Será que quando pensamos com força em alguém de alguma forma isso chega até a pessoa ? Minha avó dizia que sim e dela nunca vou duvidar. E é por essas e por outras coisas que guardei da vovó que não aprendi a perder. Não sei lidar com a perda. Perco e me culpo. Me acham desprendida. Tolos. Sou tão agarrada as minhas coisas que nem as memórias sei repartir, sei deixar ir...
A beleza nostálgica do adeus não dado me parece mais atraente. Não gosto das coisas bem resolvidas, harmônicas e decididas. A palavra talvez é uma constante armadilha que deixei morar aqui. E como não sei abrir mão ela vai ficar. Quero viajar para bem longe só para escrever a você e dizer coisas do tipo : "Estou pensando em você." "Ouvi a nossa música." "Vi um cachorro igual ao seu." Os anos passam e o ritmo da canção não muda. Me interesso em decifrar cada frase que você falou no último encontro. Talvez você soubesse que seria o último e eu achando que era apenas o começo. As coisas estão sempre começando na minha vida, simplesmente porque preciso criar história. Aqui no meu caderninho tudo tem que ter começo, meio e fim e não me pergunte se tem que ser nessa ordem. A resposta seria não sou flexível e aí você pode concluir.
Sou metódica, alucinada e pouco leve. Tenho que enxergar sentidos literais. Escrevo de forma subjetiva para tentar esconder a precisão dos detalhes e da ordem. Mas me engano porque não engano você. E eu tenho que ser especial. Tenho que deixar marca, rastro, sabores ou quiça dissabores, mas tenho que deixar. E hoje é isso que pergunto : O que deixei com você ? O que você deixou ficar de mim ?
Deitei na cama, fechei os olhos e parei de sonhar. No fundo eu e você sabemos que não deixamos nada até porque nada de nós foi compartilhado. Tudo é ficção. Texto barato de escritor novato. Barulho do teclado de um notebook qualquer. Um ruído incômodo de gelo no copo de whisky que chega ao fim. É tanto som aqui dentro que esqueço de esquecer que esquecemos daquilo que foi esquecido.
Apaga a luz. Eu vou pra Nepal. Vou me inscrever naquele curso sobre nada do Seinfeld. Em NY ? Mas a passagem era para o Suriname e aquele nosso amor era nítido que não chegava nem ao Carnaval. Você me deixou em um feriado e deveria existir um tratado de paz onde não fosse cordial abandonar as pessoas nos feriados. Eu ainda penso em mandar o cartão-postal a você mas hoje todo mundo deixa apenas um scrap no orkut. Pobre comunicação virtual.
O Caetano me incomodou hoje gritando no ipod que "de perto fomos quase nada". Bela definição. A gente aqui achando que compartilhou tanto. Eu tenho a mesma mania ainda de ouvir Caetano e Chico freneticamente. Mas eu tenho fugido e chorado. "Penso, com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi um tanto unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada - apenas me ferem muito esses teus silêncios." É eu também continuo lendo e tentando sentir a dor do Caio Fernando. Ah sei lá eu continuo por aí, né... E você onde será que está agora ? Era só isso que eu queria saber. Pra assim justificar meu choro, minha fuga e até mesmo... O PORQUÊ.

2 Comments:
Pops,
faco outra tentativa d deixar comment...
Amei o texto... bastante pesado, turbulendo e angustiado.
Amei a parte do escrever com perfume, com lágrimas"!
Muito bom!
Love u!
Eis nostalgia...!!!! Achar o por quê de algo que já foi, ou nem foi...
Acho que buscar entender o que se passou é mais confortável do que ver o que pode vir...
te amo.
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