Wednesday, September 12, 2007

MANOELA

Loucura sentida pela vértebra... sabe aquele arrepio que vai subindo, subindo e em cinco minutos o seu corpo inteiro está congelado ? Não você não entendeu nada, meu caro. Não é a expressão tão batida de borboletas voando pelo estomago, não é nada disso. É bem mais físico e isso é que está errado. Não poderia ser físico, como costume poderia pertencer somente ao campo das emoções. Nesse dia Manoela sentiu que tinha indo mais além do que já tinha se disposto na soma de todos os momentos que resultariam no seu fim. E como esse término parecia distante e até mesmo mentiroso, justo com ela que sempre se economizou pois sabia que não ia chegar tão longe. Não. Não está escrito errado. A lógica dela era outra. Se qualquer caminho me serve não vou dar muito de nada em nenhum atalho. Caminhava a passos lentos e como já dito, econômicos, mesmo. Não valia a pena se gastar, sobretudo desgastar-se. Respira fundo para não doar o ar que lhe cabia e acorda, melhor dizendo, deixa a pupila ver que há cores do lado de fora, mesmo que sejam apenas variáveis de um tom pastel qualquer. Ainda está no sonho ou será que a realidade já não é conveniente ? Desdenha do mundo complicado e deseja a ignorância do saber malandro. Porque Manoela perdeu tanto tempo ? Responda se puder. Eu desisti. Paula, Luiza e Daniela também. Manoela hoje não pensa em desistir mais. Hoje ela é feliz. Ignorantemente feliz como o arcano louco do tarot.Coitada.

Monday, September 10, 2007

DEVANEIO

A cidade não é igual ao que foi ontem mas continuo tendo motivos fortes para chorar e nobres para sorrir. Não fui mais no tal bistrô do prato quadrado, pois até naquele formato vejo refletida a imagem do que não poderia ter sido e somente aconteceu. É a dor mais feliz que alguém ousou sentir. Fui eu, foi você e não fomos nós. Não foi tango porque foi só. Não foi bossa nova porque não foi leve. Não foi rock porque não teve atitude. Simplesmente foi algo que quase foi sem nunca ter sido e muito menos saberemos se era pra ser. Será que existe mesmo esse negócio de ter que ser ? Não sei. Mas é nessas que a gente faz o que não fez e sente o que não é sentido. É o destino a que se destina ser sem contemplar. É admirar o caso do acaso e dar valor ao que não tem perdão. É ir fundo para se esquecer que é raso. É doer muito para banalizar a dor. Não há mais espaço para esse mundo vazio mas ainda há muito pouco de tudo que foi sonhado. É o resumo de um sonho que não foi pesado o suficiente para ser pesadelo e utópico de menos para ser demais. Ok. Foi só mais um dia. Durma em paz. Acorde em chamas. Transite entre seus mundos. Voe pelos seus abismos. Mas esteja pronto para ancorar sem se dar conta de que o porto é o limite da fuga e ali não adianta fugir e tão pouco fingir. E agora ?