Monday, November 28, 2005

UNTIL FINDING NEW SOMEBODY...

Ontem como todo e bom domingo fui ao cinema. Assisti Flores Partidas, filme de Jim Jarmusch, sobre um homem de meia idade que teve uma vida amorosa que lhe rendeu comparativos a Dom Juan, mas a única coisa que tem no momento é uma casa confortável, dinheiro, uma televisão muito companheira e uma mala de interrogações. O longa em si é extremamente dispensável, mas acabei refletindo sobre a maneira que conduzimos algumas coisas durante toda uma vida. Essa maneira de sempre colocarmos em dúvida nossos momentos de felicidade em busca de mais felicidade.

Estava no carro ouvindo The Blower's Daughter, música de Damien Rice para o filme Closer - Perto Demais, que afirmo ser o grande destaque de 2005. Falo, mais uma vez, de um filme que traz questões amorosas bastante conhecidas por nós e caminhos que a grande maioria já conhece de tanto trilhar. Poderia ser facilmente enredo da minha vida, da sua vida ou daquela sua amiga. É a forma de se relacionar na sociedade contemporânea. É o baile de máscaras que estamos acostumados a frequentar. É a busca incessante do relacionamento ideal. É a ciranda cirandinha dos adultos. É a manipulação do outro. É a sexualidade que Hollywood vende. E a gente compra.

Fernanda Young em seu livro Efeito Urano mexe com essa fila de incertezas, com o perigoso jogo de sedução, de rejeição, com a temível combinação de amar sem ser amado. O jogo da conquista que no começo é muito excitante e que mais tarde pode ser a chave que abre a porta de todos os medos. Noites mal durmidas, aquela angustiante situação de será que o telefone vai tocar, o telefone que toca e não é a pessoa que você gostaria que fosse mas é a pessoa que temos que atender. É o ensaio da cena do tapa na cara em alguém que você vai pedir colo depois. "É a lama, é a lama".

Essa estranha forma de amar, essa insegurança no final feliz, vende livro, filme e cd. Compõem as trilhas sonoras no carro, os olhares perdidos nos restaurantes, os sorrisos pela metade dos casais na fila do cinema. Aeroportos, bares, parques e livrarias estão repletos de será que teria dado certo ? Por que deixei ele (ela) ir ? E lá está o círculo vicioso em ação mais uma vez.

É uma caixa de perguntas sem respostas. Todo mundo está tão absorvido em suas satisfações pessoais que ninguém enxerga a outra pessoa de verdade. E justamente a verdade, na grande maioria das vezes, está nesse contexto. Tentar enxergar de verdade quem está ao nosso lado. Sem idealizar o romance perfeito, a história mais bela. Não deve haver soluções e sim sentimentos. Deve ser uma mensagem contínua de estamos em construção. Não é simples chegar a uma conclusão e para falar a verdade é melhor que isso nem aconteça.

Monday, November 21, 2005

T.P.F.A - TENSÃO PRÉ FIM DO ANO

Ela já chegou. A tensão pré fim de ano.
É isso mesmo. Novembro não acabou mas parece que já estou escutando os sininhos do bom velhinho soarem.
A cada ano que passa o Natal parece que começa a ser aguardado ainda mais cedo. Como publicitária já estou esperando o ano em que receberei um briefing pedindo uma campanha de volta as aulas em julho com temática de papai noel.
Eita época do ano chata. Minha mãe vai me encher o saco para fazer os cálculos de 13º da empregada que acabou de entrar. E ela também vai querer saber qual é a minha opinião sobre a ceia de Natal. Entrar na caixinha de "Boas Festas" do povo da portaria. Já sei que vou ficar dias querendo saber se vai haver bônus salarial. E se aquela tia gorda e depressiva vai querer ancorar lá em casa. Eu cansei e não quero mais brincar de final de ano.

E pensa que acabou ? Ainda não falamos da pressão psicológica. Se você não é casado nem tem filho, as coisas ficam piores. É claro que vai aparecer um idiota e perguntar o motivo disso tudo e você vai ficar sem saber o que responder. Sem contar naquele cunhado do tio do seu primo que você só vê uma vez ao ano que vai perguntar : quando você se forma ? Mesmo sabendo que você se formou há anos. E quando você casa, minha linda ? Tem que parar com essa vida agitada e sossegar logo. Vai se f.... o que esse filho da p... sabe da minha vida? É muita tensão. É muito stress.

Para completar tem aquelas pessoinhas que insistem em demonstar toda a sua carga emcional nesse período. São abraços longos com o desejo mais sincero de FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO. Ah tem coisa mais hipócrita ? Sem contar que tem as festinhas de amigo secreto com o povo do colégio que você não vê desde o amigo secreto passado, a festinha da "firma" (hahaha) onde a gente tem que olhar a cara do chefe bêbado com um copo de whisky na mão prometendo que no próximo ano viveremos felizes para sempre. Aaaaaaaaaiiiiiiiiii. Será que vou sobreviver ?

Minha única compensação é saber que a noite do dia 24 de dezembro passa. O almoço do dia 25 de dezembro demora, mas também passa e finalmente no dia seguinte posso voar para poder acabar o ano longe de tudo que não gosto. Posso colocar havaianas e saia longa e ir caminhar na praia. Posso almoçar na hora do jantar e posso durmir na hora de acordar. E pode chegar o tão esperado Reveillon, a data que depois do Carnaval (claro!) é a que mais espero. Adoro a energia dessa noite, a alegria. E aí sim começo a ser feliz até o próximo ano começar a chegar ao fim.

Wednesday, November 16, 2005

E A SUA LISTA ?

"VEJO UM NOVO COMEÇO DE ERA COM GENTE FINA, ELEGANTE E SINCERA... "

Odeio esse período do ano onde parece que tudo vai se arrastando. Começamos a viver em stand by até o Natal, depois Reveillon e aí arrastamos mais dois meses até o Carnaval. Pronto a vida começa em março. Não quero esperar março para viver. To com medo de mim, pois estou parecendo amargurada dizendo isso ou será apenas essa sensação terrível de gripe com um pouco de dor de cabeça e tudo isso misturado com o mau humor de não estar olhando o mar em um dia desses ? Na verdade, acho que odeio essa época pois há um confronto de todas as promessas feitas para o ano que está a acabar com os resultados efetivos e quase sempre a gente perdeu no meio do caminho muito do que havia se disposto a fazer.

Abri minha listinha de promessas para 2005. To quase morrendo de rir mas deveria estar morrendo de chorar. Você não tem idéia de quantos quilos me comprometi a perder e dias atrás subindo na balança ridícula de uma drogaria qualquer quase perdi a fala com quantos quilos... ganhei. Outra promessa que fiz era fazer uma tatoo e essa cumpri, bom quer dizer mais ou menos, né ? Estava escrito na minha listinha fazer uma tatoo da betty boop e o que fiz foi a minha borboleta Pimpa. Na listinha ainda seguiam guardar 30% do meu salário e cumpri ? Claro que não. Estou negativa mais de 500% do mesmo salário no banco. Agora to rindo muito mesmo, o último ítem da minha lista era fazer kung fu. Ah quem me conhece me imagina fazendo kung fu ? Onde estava com a cabeça colocando essa atividade como objetivo ?

Resolvi hoje que para 2006 não vou fazer lista nenhuma de metas.
Vou anotar as coisas que irão me fazendo feliz durante todo o ano e vou é tentar repeti-las nos próximos.
Cansei da pergunta o que fazer, pois nem sempre as respostas coincidem com os sentimentos do que nos faz feliz.
Agora a pergunta para a nova etapa é o que senti. Espero ter respostas mais verdadeiras.

Monday, November 07, 2005

DONA RÊ NA MEMÓRIA

"Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa, sou macumbeira
Sou de paz, eu sou do bem mas..." (Vanessa da Mata)

Quem nunca teve uma noite Rê Bordosa ? É isso mesmo. A personagem do Angeli inspirou no mínimo uma noite de todo e qualquer mortal. É o chamado enfiar o pé na jaca, sabe ? Aquela manhã que começa no meio da tarde e você acorda jurando por todos os santos e orixás que nunca mais vai encostar num copo ou cair na noite. O pior é quando você olha para o lado do seu travesseiro e o seu celular tocou algumas milhares de vezes e em todas elas era um amigo ou amiga querendo saber se você estava bem depois do vexame da noite anterior. Oh céus ! Todo sósia de Dona Bordosa sabe o que é a palavra vexame no sentindo literal da palavra.

Esses dias reparei nas comunidades orkutianas dos meus amigos e a grande maioria partipava de comunidades que entregavam o lado Rê de cada um. "Odeio celular quando estou bêbado (a)" era a comunidade campeã. "Se eu não lembro não fiz" vinha na sequência. Ainda tinham coragem de participar da nada mais nada menos " Só vou para o céu se for open bar". Fiquei surpresa quando percebi que estava em todas elas. Forma de nostalgia ? Maybe.

Não tem idade certa para cair. Cair na noite. Na farra e na vodka. Até mesmo cair por aí. Não tem fase certa para levar um tombo na vida e ter que se esfolar muito para encontrar força para levantar. Sabe a sensação de ter que ir até o fundo do poço ver se encontra uma mola que faça você subir. É isso mesmo. Todo fundo de poço tem uma mola não importa o quanto é fundo esse poço. Quantas vezes na vida a gente não tem que chegar até o inferno para valorizar um pouquinho o purgatório do dia-a-dia ?

Além disso acho fundamental ir até o fim em tudo. Viver tudo com o máximo de intensidade. Se for para chorar é para chorar com todas as forças. Se for para gritar tem que ser até perder a voz. A gente tem que conhecer os próprios limites e principalmente saber do que se é capaz na vida. Mas tem que viver tudo isso para aprender a dosar.

O cartunista pai da Rê Bordosa resolveu tira-la de circulação quando achou que a personagem tinha encontrado um caminho. Quando a mocinha ganhou vida própria e começou a falar mais alto que o os outros personagens. Assim pode ser a trajetória de todo mundo. Assim está sendo a minha vida.

Se ando caindo por aí ? Só de susto quando olho minha conta bancária. Mas eu disse que era intensa, né ?

ps: texto para um amigo que anda desolado com o seu lado feminino Rê Bordosa