Monday, October 17, 2005

STANISLAVSKY

" Todo Carnaval tem seu fim " ( Marcelo Camelo)

Acordei com a melodia já um tanto desgastada do TIM Festival. É... sou dessas
pessoas bizarras que coloca uma musiquinha idiota como toque no celular e depois
fica reclamando que não aguenta mais ouvir o tal som.

Além de ser bizarra, sou uma bizarra repetitiva. Para comprovar ainda mais esse
conceito, entrei no carro e apertei o botão repeat do rádio em uma canção que acaba
me levando muito, mas muito longe, todas as vezes que toca e era disso que estava
precisando, ficar longe do meu personagem diário e quem sabe ir para algum lugar onde
houvesse "uma existência superiormente interessante". Fechei os vidros. Abri a alma.

Vontade de perder o rumo e seguir adiante. Queria procurar um colorido mas bem longe
das cores que encontro nos layouts que aprovo todos os dias. A tonalidade que procurava
naquele momento tinha que ter o sabor de brigadeiro da casa de vovó. O som
de porta abrindo quando estamos esperando alguém que amamos muito e quase nunca aparece.
O cheiro daquele perfume que você quer sentir de novo e nunca mais cruzou com ele por aí.

Deu vontade de ser atriz. Sim, os palcos. Aquele tablado de madeira que tanto amo e que o
mais perto que chego é quando sento na primeira fila do teatro. Cazuza disse que só as mães
são felizes, contrario o poeta e afirmo : só os atores são felizes. A tal "existência superiormente
interessante" é a vida sob a ótica de Stanislavsky. É a vida de ser o que quiser até a próxima
sessão. Até a próxima abertura das cortinas. Até o próximo bis. Quando fui a primeira aula de teatro tive a impressão de que tudo é tão mágico que se deseja MERDA para todo mundo. Até a MERDA é mágica. No teatro todo mundo ensaia o que quiser e o melhor de tudo, vive aquilo.

Ah, as cores. Encontrei a cor verde no semáforo logo a frente. Não era o verde da minha escola,
da Mangueira, anunciando que entraria na avenida. Era um tom mais sem graça, que dizia : Samantha, pode seguir em frente que você está chegando na agência. Ah, tudo bem. Entrei na garagem. Desligueio rádio e comecei a ouvir Todo Carnaval tem seu fim. Salve, Marcelo Camelo. Salve a segunda-feira!

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Ainda bem que sua alma é sensível o bastante para se dar conta disso.
Só parando para ler textos assim é que nso damos conta de que o tempo passa, ás vezes
sempre igual não é?

Adorei o texto e essa iniciativa de blog.
Bjs

10:31 AM  
Anonymous Anonymous said...

feliz! feliz! feliz!
Sãmãntha!
que delícia navegar pelos seus pensamentos e perceber que dividimos um epaço cheio de dúvidas e ao mesmo tempo cheio de ruas coloridas!
estímulo! acho que me encorajou pra deixar os pensamentos sairem diretamente para os olhos de quem quiser ver...

MERDA! MERDA! MERDA!

Beijão,
Mari.

11:24 AM  
Anonymous Anonymous said...

que bom que resolveu dividir o seu universo paralelo. textos lindos e de muita sensibilidade. beijo do fê.

2:38 PM  

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